ou o místico, o unicórnio e o escritório

2.5.12

Alfabeto das Nuvens

Colaboro no site MusaRara com a coluna Alfabeto das Nuvens. Textos, reflexões e ideias sobre a literatura infantojuvenil e seus caminhos. Para ler os textos, acesse Alfabeto das Nuvens.

29.4.12

Três exercícios para despistar a razão ou Tudo aquilo que eu sou

Exercício no. 1: Fui até a estante com livros e puxei de lá Água Viva de Clarice Lispector. Fechei os olhos e abri aleatoriamente. Assim: "Às vezes eletrizo-me ao ver bicho". Ou ainda: "Segurar passarinho na concha meio fechada da mão é terrível, é como se tivesse os instantes trêmulos na mão".


Exercício no. 2: Pego o Gulliver no colo (Gulliver é o meu gato). E fico com os trechos do texto da Clarice passeando em minha cabeça, enquanto acaricio a barriga do meu bicho. E penso na possibilidade dele comer um passarinho qualquer.

Exercício no. 3: Abro um dicionário de mitologia chinesa, folheio e encontro. Na letra P. PA-CHA: Deus destruidor dos gafanhotos. Era um deus híbrido, meio humano, meio ave e meio sino.
E me asseguro de que o texto de Clarice, o Gulliver e o laptop em que digito esta postagem ainda são realidades a que eu posso me apegar. E fico como um servo fiel desejando ver PA-CHA.


Vídeo de divulgação do meu livro "Esquece Tudo Agora"

25.4.12

Oficina de teoria e prática: “A literatura infanto-juvenil e seus caminhos”


 Olá queridos, darei esta oficina em maio e junho no Espaço Terapêutico Dança da Realidade.

Oficina de teoria e prática: “A literatura infanto-juvenil e seus caminhos”
Com Marcelo Maluf

Programa da oficina
- O  que é o texto literário destinado a  crianças e jovens: caminhos.
- Da tradição oral as histórias contemporâneas
- Os grandes mestres narradores
- Cinema e a literatura infanto-juvenil
- Mistério, fantasia, fantástico e caminhos do imaginário em LIJ
- Poesia para crianças
- Autores contemporâneos
- Acompanhamento de projetos

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Quando: de 07 de maio a 02 de julho - 10 encontros, às segundas-feiras, das 19h30 às 22h
Investimento total: R$ 600,00 (Parcelado em até 3 vezes) ou à vista R$ 550,00. Cheque, dinheiro ou depósito bancário.
Onde: Espaço Terapeutico Dança da Realidade
próximo ao Parque da Aclimação
Contato e inscrição: 
malufmarcelo@gmail.com


10.4.12

Vídeo de divulgação do lançamento do livro Esquece tudo agora

Vídeo de divulgação do meu livro de contos: Esquece tudo agora (Editora Terracota), dirigido por Olindo Estevam. Salve!

11.3.12

Meu livro de contos: Esquece Tudo Agora - Lançamento em 14 de Abril

Texto da orelha do livro:

O exímio fatiador busca a perfeição. O professor passa o dia atormentado por um nome onipresente. Helena, gorda e milionária se sente profundamente infeliz sem o seu Antenor. Alice ainda exala beleza mesmo em uma situação que aterroriza os transeuntes. Juarez Medalla finalmente descobre de onde vêm as grandes canções. Heleno que gostava dos pequenos não parava de crescer. Jerônimo foi vítima do ataque de um grupo de terroristas poéticos. Abigail aconselha a comer azeitonas pretas quando não souber o que fazer.

Com ligeireza e densidade cada conto de Marcelo Maluf é uma martelada no sino da existência, um baile de personagens caleidoscópicos e histórias pungentes, que tratam de transcendência e incerteza, nada é o que parece e mesmo que fosse já se alterou. Afinal, a vida é um jogo de sombras onde um raio fugaz é capaz de mudar toda uma existência. A realidade é uma construção alicerçada em signos e metáforas, coberta pelo véu imposto pelo limite dos nossos olhos. Algumas pessoas conseguem ultrapassar o véu, outras perguntam: o que você viu lá? Mas não sabem que a descrição não é válida, pois é a experiência de descortinar que importa e os resultados mudam conforme o tato de cada um. No fim, somente signos e metáforas podem ser compartilhados, a experiência é uma nave de acento único, de uma viagem que não há nada para lembrar, mesmo que seja impossível esquecer.

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Espero todos por lá! Clique AQUI, para saber tudo!

8.12.11

Lançamento da antologia de contos ABIGAIL

Neste sábado, dia 10, tem lançamento da antologia de contos ABIGAIL. Participo do livro com o conto "Quando os pinguins deslizam de barriga no gelo". Tem muita gente bacana lá, Marcelino Freire, Andrea Del Fuego, Claudio Brites, Nelson de Oliveira, Márcia Barbieri, Rogerio Guimarães, entre outros autores. Está feito o convite!

13.10.11

O Rato e a Águia - para La Fontaine

Rejeitava os pássaros, tinha ciúmes deles. Queria que a árvore fosse somente sua. Passava os dias empoleirado nos galhos da velha castanheira, observando e devorando pequenos roedores, cachorros-do-mato, quatis, tatus e lagartos. Escolheu o caminho dos animais. “Vou ser ave de rapina”, pensou. Foi a última vez que falou a língua dos homens, depois foi ser. Jessé era o seu nome de homem. E como homem, foi funcionário do MacDonald’s, vendedor de livros usados, vocalista de banda punk: “Os morféticos do passado”. Juntou dinheiro, cursou história. Era apaixonado por Júlia na faculdade. Ela sabia estabelecer relações entre a guerra fria e o uso das redes sociais na internet como símbolos de eufemismos políticos e interpessoais. Tinha a pele hidratada, morena, um jeito de girar o pulso quando defendia uma ideia que somente ela sabia a exata maneira de executar o movimento. Bebia vodka russa. Discutiam Gogol e Dostoiévski. Júlia dizia que o Tolstoi havia pirado no final da vida com aquele delírio místico anti-literário. Ele discordava, mas não tinha argumentos lógicos para expor uma posição. Jessé estava ali. Abrindo as asas, senhor de sua árvore. Quieto. Concentrado. Preciso. Ágil. Nada estava fora do seu lugar. Um rato por mais ligeiro que fosse não tinha chances contra o seu olhar certeiro de águia. Isso era o que ele se lembrava dos programas da National Geographic. Na faculdade de história havia aprendido a importância do passado para que a memória dos fatos pudesse garantir a consciência do presente. Mas como ave só conseguia capturar sua presa quando experimentava o aqui e agora. Sua memória humana o traía. A boca de Júlia, sua eloqüência, seu gesto perfeito do pulso, e o rato lhe escapava. Ria dele. A história e a consciência do seu passado faziam dele a mais inábil das aves de rapina. Um ser desajeitado para viver naquele mundo. Presente. Mesmo alguns pássaros menores não o levavam a sério e cochichavam, e caçoavam da sua inaptidão. Lembrou-se que Júlia só sentiu tesão por ele uma única vez. Quando discordaram a respeito da postura pacifista do Dalai Lama quanto à invasão chinesa no Tibet. Ele concordava com o Dalai, ela dizia que era preciso usar a força e expulsar os chineses. Ele irritou-se com a postura violenta dela. Ela beijou-o na boca e ficou nua para ele, mas não deixou que ele se despisse. Apenas que se masturbasse contemplando o seu corpo. Sêmem com vodka. O rato agora estava mais próximo. E ao invés de distrair-se com a memória do corpo nu de Júlia, Jessé viu no corpo do rato o rosto dela. Capturou-o. Não o devorou, deixou-o em pedaços. Minuciosamente. Não havia nos restos nenhum sinal de Júlia. Foi a primeira vez desde que chegou ali que conseguira tal proeza. O rato era apenas rato. Um roedor. Um almoço fácil. Esqueceu o seu nome de homem. Esqueceu Júlia. Voou para o topo da árvore e ocupou para sempre o seu lugar de predador.

Imagem de fundo: Rogério Pinto